CURITIBA - A Polícia Federal prendeu na
madrugada e na manhã desta quinta-feira, 8, 18 pessoas em Curitiba e Cascavel,
no Paraná, e em São Carlos
e Sorocaba, no interior paulista, acusadas de integrarem uma quadrilha
especializada em desviar recursos públicos voltados para a educação técnica do
Paraná.
O prejuízo com as fraudes pode ter
atingido R$ 6, 6 milhões, somente no setor de ensino à distância do Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Paraná (IFPR). A ação,
batizada de "Operação Sinapse" envolveu 200 policiais e contou com o
apoio da Controladoria Geral da União. Além das prisões (três detidos são
professores do IFPR) foram executados dez mandados de condução coercitiva, 43
de busca e apreensão, além do pedido de apreensão de 30 veículos à Justiça
(somente três pedidos foram autorizados).
Segundo o delegado Felipe Hayashi, que
coordenou a ação, os recursos eram desviados por meio de diferentes atuações.
"Eram desviados recursos por meio de inúmeras práticas criminosas desde
superfaturamento até distribuição de recursos a empresas de fachada, empresas
que efetivamente não prestavam serviços e identificamos também que esses
recursos destinados a empresas eles retornavam a funcionários públicos por meio
de propinas. Nós já temos indicativos neste momento de que houve um desvio de
R$ 6,6 milhões", disse.
As investigações começaram em março de
2012 e algumas evidências indicam que as fraudes iniciaram em 2009. Ela agia
por meio de termos de parceria firmados entre o IFPR e duas Organizações da
Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIPs. Esses projetos para cursos à
distância do IFPR eram superfaturados e os serviços previstos em contrato não
eram prestados. Ainda nesse período, a quadrilha conseguiu que alguns de seus
integrantes fossem aprovados em concursos públicos para o IFPR de forma fraudulenta.
Para encobrir essas ações, a quadrilha
falsificava contratos e prestações de contas, e pagava propinas a funcionários
da autarquia federal e integrantes das Oscips.
Mesmo com a análise preliminar que
indica desvios de R$ 6,6 milhões, há a possibilidade desse valor aumentar,
conforme o resultado da análise do material apreendido. "Nós colhemos mais
evidências na data de hoje (8) mediante esses mandados de busca e apreensão,
após a análise desse material e perícias que estão sendo realizadas é possível
que esses valores sejam maiores. Foram apreendidos três carros de luxo com
indicativo de que foram adquiridos por esses desvios de recursos, são valores
que podem chegar a quase meio milhão de reais (foram apreendidos um Porsche
Cayman, um Mercedes Benz e um Range Rover)", concluiu o delegado.
As pessoas detidas responderão pelos
crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e passiva, falsidade
ideológica, lavagem de dinheiro, estelionato e crimes da lei de licitações.
Fonte: Estadao
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